Hidrogeologia

Os profissionais de geologia desempenham papel fundamental na Gestão de águas por terem o conhecimento técnico sobre as águas subterrâneas, sua distribuição, fluxo, volume e qualidade.

As águas subterrâneas compõem grande parte da água doce (não congelada) do planeta, localizadas na zona saturada, ou seja, abaixo da superfície freática. Esses mananciais em subsuperfície têm um papel fundamental no ciclo hidrológico e na manutenção dos biomas terrestres. Por serem alimentados pelas águas superficiais (água das chuvas, rios e lagos), através da infiltração e percolação para o subsolo, a sua recarga está intimamente ligada ao regime de chuvas do ambiente, a porosidade e permeabilidade do solo e subsolo. Assim, é preciso considerar uma série de questões para a exploração de um aquífero, como:

  • O clima e o regime de chuvas da área de interesse;
  • O grau de porosidade das rochas e profundidade do nível freático no local;
  • Os impactos ambientais e sociais relacionados à exploração dessas águas;
  • O custo dessa exploração;
  • A qualidade e quantidade desse recurso na localidade.

Os aquíferos de uma área podem desempenhar diversas funções na abordagem da gestão integrada da água, como: 

  • Produção – consiste na perfuração de poços para extração de água subterrânea.
  • Transporte – consiste em utilizar os aquíferos para transportar água de zonas de recarga para compensar os efeitos da super extração noutras áreas, onde o uso da água subterrânea é intensivo.
  • Estratégica – trata-se da valorização da água disponível e sua proteção dos agentes naturais de perdas por evaporação, dos agentes de poluição, proporcionando uma filtração ou potabilização inviável pelos métodos convencionais de tratamento. Esta alternativa vem sendo muito aplicada em alguns países desenvolvidos e tem se revelado muito promissora, sobretudo, pela prática do método Aquifer Storage Recovery – ASR.
  • Filtro – a captação por meio de poços induz águas de rios, lagoas e outros mananciais de superfície, como forma de reduzir os custos do seu tratamento convencional.
  • Energética – a água quente do aquífero é utilizada como fonte de energia geotermal de alta entalpia, produzindo-se energia elétrica.
  • Estocagem – muito usada nas regiões de clima árido, onde é possível injetar excedentes sazonais de água de enchentes dos rios, de estações de tratamento de água – ETAs, de reuso não potável de água nas cidades, indústrias e agricultura.

Além dessas funções, o estudo hidrogeológico se faz necessário junto as atividades de mineração nas etapas de prospecção mineral, lavra e descomissionamento de mina, que incluem pesquisas sobre a geologia do terreno, configuração estrutural e composições geoquímicas.

Apesar de abundantes e estarem menos expostas do que as águas superficiais, as águas subterrâneas estão vulneráveis a contaminações, superexploração, exaustão ou até inutilização como recurso hídrico. O uso descontrolado atual da água subterrânea no Brasil vem engendrando sérios impactos nos sistemas naturais de fluxos subterrâneos e problemas de recalque diferenciado do subsolo. Impactos de contaminação devido as caóticas formas de uso e ocupação do solo nas cidades brasileiras torna temerário utilizar a água subterrânea que é extraída de poços que captam aquíferos freáticos (no primeiro nível de acumulação de água no subsolo).

No Brasil, poços para abastecimento humano no meio urbano, deverão ser construídos atendendo especificações de engenharia geológica, engenharia hidráulica e engenharia sanitária. Isto indica a necessidade de produção de perfis geológicos e geofísicos, os quais deverão fornecer subsídios para definição das especificações de engenharia geológica. Além disso, tem-se a definição dos filtros em função do calibre das areias que formam as camadas aquíferas mais promissoras e sua colocação adequada deverá proporcionar uma vazão de produção ou de injeção com perdas de carga mínimas ou atendendo às boas normas da engenharia hidráulica. Por sua vez, a cimentação do espaço anelar superficial até uma profundidade adequada e constituição de selo sanitário na superfície deverão impedir a infiltração de águas do freático, muitas vezes, contaminadas.

Uma obra de captação mal construída representa um verdadeiro foco de contaminação da água subterrânea. Pois à medida que uma fonte de poluição ou degradação da qualidade da água subterrânea se encontra na superfície do terreno, num poço mal construído a poluição poderá descer buraco abaixo e degradar a qualidade da água do aquífero profundo ou confinado de onde se extrai água.

Garantir um poço bem construído é fundamental para evitar problemas como este. Por esses motivos se faz necessária a contratação de profissionais de geologia (geólogas e geólogos, engenheiras geólogas e engenheiros geólogos), com capacitação e conhecimento técnico-científico para atuar realizar outorgas e perfurações de poços, entre outros empreendimentos que afetem as águas subterrâneas.

A orientação de um profissional habilitado garante que a exploração não cause danos ao ambiente, à fauna ou à flora, nem ao recurso em si. A falta de água nos tempos atuais é uma tendência mundial, portanto, não podemos permitir que nossos recursos sejam mal utilizados ou administrados. As mudanças climáticas anunciadas deverão ser responsáveis pelo aumento na irregularidade de ocorrência das chuvas no mundo. Provavelmente, as chuvas poderão ser mais intensas em algumas regiões e escassas em outras, agravando a crise de recursos hídricos.

Em termos globais, o desafio é aumentar a vontade política para que compromissos relacionados à água possam ser implementados. Dessa forma, os profissionais da área de recursos hídricos precisam ter um melhor entendimento em relação ao contexto social, econômico e político geral, e os políticos precisam ser mais bem informados sobre as questões relativas à água. Na realidade, deve haver um planejamento e uma gestão integrada dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos que ocorrem no âmbito de cada bacia hidrográfica, no sentido de proporcionar, sempre, a utilização mais racional, econômica e de qualidade da água a ser servida à população. Assim como as águas em superfície, devemos cuidar desses recursos e preservá-los, para que não falte água nem para essa e nem para as próximas gerações. Por esse motivo a participação de geólogas e geólogos nos Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas é muito importante, participe!

Referências Bibliográficas: 

FEITOSA, Fernando A. Carneiro et al. Hidrogeologia: conceitos e aplicações. CPRM, 2008.

https://institutominere.com.br/blog/misteriosos-caminhos-das-aguas-subterraneas

https://www.sobregeologia.com.br/2017/11/aquiferos-e-aguas-subterraneas.html

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