O Geólogo

 

 

O Geólogo no século XXI


A formação de Geólogos é recente no Brasil, apesar da ciência ter-se estruturado desde a Renascença (Georgius Agrícola, De Res Metallica), até meados do Século VXII. No Século XVIII, a Geologia já surge como uma ciência aplicada independente em vários países da Europa.
A geologia é uma das modalidades do campo das Engenharias desde o seu “nascimento” no Brasil, conforme o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA). É dentro desse campo de atuação que os Geólogos vêm gradativamente assumindo novos espaços e reconhecimento de fundamental contribuição para as mais diversas áreas do conhecimento técnico-profissional e científico. Atualmente, as Câmaras Especializadas de Geologia e Engenharia de Minas estão estruturadas e em pleno funcionamento em 17 CREAs. Nos demais estados, esforços vêm sendo feitos para que se alcance tal estruturação.
É dentro desse espaço histórico que deve ser discutido e avaliado o papel do Geólogo no Século XXI. E, esse espaço histórico inclui várias rupturas e transições de fundamentos teóricos, bem como de aplicações e campos de atuação.
As demandas por profissionais de nível superior para atender as necessidades da expansão industrial brasileira desencadeada a partir do Estado Novo (Nov-1937 a Out-1945) e do governo constitucionalista de Getúlio Vargas (1951-1954) resultaram na Campanha de Formação de Geólogos (CAGE). Neste período inicial, havia grande necessidade de profissionais especializados para o Conselho Nacional do Petróleo (CNP, posteriormente PETROBRAS, 1953) e a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Em prosseguimento, a demanda pelos Geólogos foi acentuada com a criação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), das Superintendências Regionais de Desenvolvimento (p.ex. SUDENE), da NUCLEBRÁS, entre outras empresas.
A demanda inicial de geólogos requeria profissionais altamente capacitados para as atividades de mapeamento geológico básico e prospecção principalmente de bens metálicos, como se pode verificar pela natureza das empresas públicas acima arroladas. A própria década de 1970 ainda assistiu uma grande demanda para prospecção de metais básicos e para petróleo (GEOPET). A formação dos geólogos nesse período está muito bem caracterizada nos currículos disciplinares daquele período. Essa formação deu origem, em alguns casos, a uma língua técnica específica e, em muitas situações, difícil de estabelecer canais de comunicação com os demais profissionais do Campo das Engenharias.
As décadas de 1980 e 1990, no entanto, mostraram grandes flutuações na demanda por geólogos, como consequência da grande variação das principais commodities (metais básicos, ouro, petróleo). Ao mesmo tempo, novas demandas por profissionais de nível superior estavam sendo abertas: a geologia de engenharia, recursos hídricos subterrâneos e a geologia ambiental, por exemplo.
Nas décadas de 1980 e 1990, os currículos escolares permaneceram dentro de requisitos de formação do Geólogo semelhantes àqueles da década de 1970. Poucas mudanças podem ser observadas a partir de uma análise histórica dos currículos escolares. Isso pode ser uma consequência do balizamento dado pelo Currículo Mínimo da Geologia (Resolução nº 39/75 do Conselho Federal de Educação). Ao final da década de 1990 e início do Século XXI, começam a ocorrer mudanças mais significativas, porém sem uma diretriz definida.
Ainda há com questionamentos sobre a formação requerida para o Geólogo no Século XXI, conforme discussões oriundas dos Coordenadores das Comissões de Graduação em Geologia no Brasil. Porém, as direções a serem perseguidas para o Geólogo no Século XXI já foram mostradas em artigo do Geólogo Antônio Pedro Viero (JUN2007) nessa coluna: meio ambiente, hidrogeologia, mineração e geotecnia, nessa ordem decrescente de importância. Assim, dentro dos desafios profissionais requeridos da Geologia, é muito importante que o Geólogo, assim como os demais profissionais do Campo da Engenharias, estabeleça línguas comuns como canais de comunicação e de crescimento profissional. Esta construção deve começar pela formulação de um currículo escolar de base comum.
A base comum já está dada pelas Diretrizes Curriculares da Engenharia (Resolução CNE/CES 11, de 11/03/2002). Pequenas modificações nos Currículos da Geologia permitem que os cursos se enquadrem adequadamente nesta diretriz e formem profissionais ainda mais capacitados ao exercício das principais atividades demandadas aos Geólogos no Século XXI. Como consequência dessas diretrizes e da formação demandada para os Geólogos no Século XXI, a sua formação escolar será ainda influenciada pela Matriz do Conhecimento (Resolução nº 1.010/2005 CONFEA), uma vez que ela será elemento que norteará o exercício e a comunicação interprofissional no Campo das Engenharias.

Esperamos que o próximo 30 DE MAIO saúde uma nova fase na formação do GEÓLOGO.

 

- Prof. Dr. Adelir José Strieder –Professor dos Cursos de Engenharia Geológica e Engenharia de Petróleo – CDTec – UFPel
- Prof. Dr. Antônio Pedro Viero – Chefe de Depart. Mineralogia e Petrologia – IGeo – UFRGS

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