Controle Geológico do Pantanal

Sandor A. Grehs – Professor Titular Aposentado da UFRGS, Doutor, Geólogo Consultor. E-mail: sandor.grehs@ gmail.com.

Este artigo enfoca um dos aspectos abordados em trabalho apresentado na Conferência Internacional sobre Água Subterrânea em Rochas Fraturadas, no mês de maio de 2012, em Praga, República Checa (Grehs e Mendes, 2012).

O Pantanal (158.592 km2) corresponde a um ecossistema peculiar, inserido na bacia hidrográfica do Alto Rio Paraguai (624.320 km2), distribuído entre Brasil, Bolívia e Paraguai conforme ilustrado na Figura 1. Trata-se de uma planície composta por solos hidromórficos que oferece uma grande biodiversidade ligada ao comportamento da água, contemplando enorme complexidade de deposições sedimentares num contexto de baixíssima declividade topográfica. A título de ilustração a população pantaneira utiliza a expressão “cordilheira” para elevações topográficas da ordem de um metro.

A Figura 1 explicita a localização identificada como “Fecho dos Morros” no Rio Paraguai, a partir da qual ocorre a distribuição do Pantanal no sentido de montante e corresponde a única posição ao longo do referido, onde ocorrem afloramentos de rochas granitóides no leito do rio e em território brasileiro e paraguaio. Nesta posição a trajetória do Rio Paraguai sofre um estreitamento, ajustando-se à incidência do substrato rochoso. Tal comportamento é ilustrado na Figura 2 (Imagem do Google Earth), onde se observa a distribuição de solos hidromórficos no sentido de montante e a presença de solos secos no sentido de jusante. A Figura 3 explicita a trajetória do Rio Paraguai na posição “Fecho dos Morros” no sentido de jusante, caracterizando o território brasileiro na margem esquerda e o território paraguaio.

As interpretações das imagens de satélite (Google Earth) e investigações de campo permitem caracterizar as rochas granitóides em “Fecho dos Morros” como obstáculo ao fluxo da água superficial e como barramento do fluxo da água subterrânea. Tais condicionamentos geram retenção e armazenamento da água subterrânea no sentido de montante, controlando as relações rio-aqüífero e gerando situações de solos hidromórficos, que caracterizam o Pantanal.

O estreitamento do curso do Rio Paraguai foi e tem sido considerado um problema de navegação, especialmente para o escoamento de minérios de ferro e manganês produzidos à montante, impedindo a utilização de embarcações de maior porte. Houve propostas no sentido de aprofundar e alargar o curso do rio envolvendo a detonação e retirada das rochas granitóides. Tais procedimentos causariam problemas irreversíveis ao ecossistema do Pantanal, como conseqüência de uma acelerada drenagem da água subterrânea que provocaria rebaixamento do nível da água subterrânea, afetando e reduzindo a distribuição de solos hidromórficos. A biodiversidade sofreria tremendos impactos negativos e as relações rio-aqüífero seriam afetadas, com redução da contribuição da água subterrânea no escoamento fluvial e fragilização da estabilidade das operações de navegação.

Referência

Grehs SA, Mendes CAB (2012) Hydrogeological Features Influencing Pantanal Wetland, Brazil-Bolivia-Paraguay. International Conference on Groundwater in Fractured Rocks. International Association of Hydrogeologists. 21-24 May 2012, Prague, Czech Republic.

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